Na mesa de bar - Parte I
Na mesa de bar - Parte I
Naquele noite caía uma chuva torrencial na cidade. Ruas alagadas. Bueiros transbordando. Lixos sendo carregados pela lama. Nada fora da normalidade ou que realmente chamava atenção de transeuntes. Exceto em um bar que em pleno final de semana estava quase vazio. Apenas um cliente se encontrava naquele simples estabelecimento. Mas desde que chegara ali só havia pedido um drink ao garçom e nem mesmo havia o tomado. Ele só segurava o copo com a bebida alcoólico incolor em suas mãos e o observava como se estivesse decifrando O Código Da Vinci. Já estava a horas ali.
—
Irá tomar sua bebida ou só irá ficar observando? — interrompia o garçom
enquanto sentava ao seu lado.
—
Desculpe. — respondia o cliente, que logo em seguida virava o copo com a bebida
em sua boca e que após sentir o líquido entrando em seu organismo fazia uma
careta feia. — Não sou muito chegado à “beber”.
—
Se este não é seu lugar, porque está aqui? — perguntava o garçom em seguida,
colocando a mesma bebida em seu copo. — Aceita mais? Por minha conta.
—
Sim, por favor. — respondia ele, estendendo seu copo e o garçom logo o servia
mais. — Sei lá… hoje eu precisava espairecer.
Silêncio
entre ambos. Normalmente garçons e clientes não possuíam uma relação
interpessoal. Muito menos garçons interferiam nas vidas pessoais dos clientes.
Talvez fosse pela chuva torrencial. Não havia mais ninguém ali, então não
haveria problema se ambos conversassem naquela noite.
—
Problemas? — indagava o garçom.
O
cliente forçava um sorriso em seu rosto enquanto apertava o copo em suas mãos.
Havia um motivo para ele estar ali naquela noite e não era simplesmente por
causa da chuva ou porque trabalhara a poucas quadras dali.
—
Sim. Problemas. — ele respondia antes de tomar outro gole da bebida.
—
Sei disso. — murmurava o garçom. — Nenhum cara de terno entraria aqui em uma
sexta à noite sem nenhum bom motivo. Então, o que aconteceu de tão grave para
estar bebendo nessa espelunca?
—
Uma mulher em especial. — ele fazia uma pausa como se estivesse engasgado com
algo. — Hoje eu iria pedi-la em casamento. Mas aí, eu descobrir que ela estava
me traindo com meu melhor amigo. Poderia ser com qualquer um, mas ela me traiu
com o cara que frequentava minha casa desde o ensino fundamental. — ele
rapidamente tomava o restante da bebida e pedira em seguida outra ao garçom.
Ele estava sofrendo. Estava estampado em seu rosto. E aquele só era o início de
seu porre.
Daniel Brandão
Daniel Brandão

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